Como manter a autoestima em alta durante o tratamento oncológico

Apoio de amigos e familiares é fundamental.

Quando o paciente recebe um diagnóstico de câncer, uma nova fase se inicia em sua vida. Além da preocupação de como será o tratamento, muitas pessoas começam um ciclo de pensamentos negativos sobre a sua imagem, principalmente em uma sociedade onde, para muitos, a aparência é prioridade, e isso vai abalando a autoestima.

Segundo o psicólogo Danilo Faleiros, do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a autoestima é um sentimento que diz respeito à sensação de paz e alegria quando nos deparamos com nossa consciência existencial. “Uma pessoa com autoestima adequada acredita que tem uma função no mundo e que sua existência é considerada positiva no meio em que vive. No caso do paciente oncológico, por ainda não entender sua nova condição na sociedade, ele tende a interpretar o julgamento feito pelos outros como pejorativo ou de pena. Logo, se ele é digno de pena, não deve ser uma pessoa importante ou bem quista em sua comunidade.”

O que determina a queda da autoestima, explica ele, é a perda daquilo que socialmente consideramos importante na definição de nossa identidade. E a autoestima pode influenciar positiva ou negativamente o tratamento. “Quadros de baixa autoestima estão correlacionados à depressão, ao estresse e à ansiedade social. Existem estudos que apontam que a depressão pode diminuir a taxa de sobrevida dos pacientes. O estresse (cortisol, hormônio, liberado em situações estressantes) também pode interagir com algumas medicações quimioterápicas, diminuindo a efetividade da terapia. A ansiedade social pode atrapalhar na adesão ao tratamento e na motivação de vida, o que pode desencadear um quadro depressivo”, alerta Faleiros.

Nesse contexto, amigos e familiares ganham papel de destaque ao entenderem que a autoestima do paciente está diretamente relacionada ao valor que é dado a ele. Faleiros diz que é importante que eles evidenciem, de maneira honesta, e sem perder as oportunidades, estes valores. “Se alguém magro ganha peso durante o tratamento, ou se uma pessoa obesa perde peso, isso deve ser evidenciado se considerarmos a aproximação de um peso ideal / saudável. Por outro lado, se alguém obeso ganha mais peso ou alguém magro perde mais peso, devemos, além de comunicar ao médico, mostrar que existem outras nuances da pessoa que lhe agregam qualidade positiva. Não é preciso mentir. É preciso frisar que a pessoa é muito mais que um detalhe. É importante também estar atento aos valores de quem ouve a informação.”

Faleiros ressalta ainda que um paciente com boa autoestima sobrecarrega menos os familiares e cuidadores, além de encontrar sentido para superar as dificuldades trazidas pela doença e pela busca da cura. “Ele passa a ter mais consciência de seus valores existenciais, ou seja, consegue responder à seguinte pergunta: por que não desisto deste tratamento? Se existe esta resposta, o processo será enfrentado de maneira digna e menos sofrida.”

O especialista dá algumas dicas que podem ajudar o paciente a manter a autoestima em alta durante o tratamento oncológico.

  1. Redescubra o significado e o sentido da vida dentro desta nova fase da sua existência.
  2. Não se compare a você ontem. Novos acontecimentos estão presentes e você é muito mais do que era no dia anterior.
  3. Busque ver nos olhos dos outros a beleza e a função que você tem na atual circunstância.
  4. Esteja próximo a quem te faz sentir bem sendo quem você é, com suas qualidades e limitações.
  5. Esteja atento às próprias interpretações de menos-valia que muitas vezes não passam de interpretações erradas e desproporcionais da realidade.

“Estas são dicas importantes para manter a autoestima durante o tratamento. Assim, se ir ao salão de beleza, ajudar alguém ou comprar algo lhe faz bem, faça. Mas redescubra o que lhe faz sentir melhor no presente, o que faz você importante para você mesmo”, finaliza.

Data: 06/09/2017